segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Néctar de Letras


1. O eterno fascínio da Literatura

Qual o efeito concreto da Literatura em nossas vidas? Por que lemos? Afinal... qual seria o recorrente fascínio pela Literatura? A Literatura é uma linguagem que exige de nós um certo grau de introspecção pouca alcançada em outras. Exige concentração em diversos níveis. Passado, presente e futuro dançam e pululam  enquanto os olhos correm pelas letras em seu processo linear. Enquanto os olhos percorrem as  letras...sonhos, devaneios, exercícios mentais misturam-se  e coexistem como numa dança sem coreografia definida.

Ao depararmos com um bom texto literário nossos anseios se desdobram ante um universo de grandes incertezas. A Literatura abala, quando não...dissolve nossas maiores certezas a respeito de algo, em especial, abalam nossas verdades mais íntimas. Por isso que, via de regra, o bom texto literário é provocante. Fere. Machuca. Leva ao desespero. Por um outro lado somos, necessariamente, levados a pensar que não estamos sozinhos na empreitada da vida. Talvez por isso Octavio Paz tenha escrito O labirinto da solidão...como uma única saída para se sair dele! E Gabriel Garcia Marquez Cem anos de solidão! As duas obras em referência, por exemplo, reforçam, magistralmente, a inescapável condição humana:  nascemos sozinhos, morremos sozinhos.
Mas a Literatura percorre outros caminhos, como por exemplo o da linguagem. Bons escritores são verdadeiros professores de língua quando desmontam as estruturas gramaticais vigentes e, muitas vezes, completamente desgastadas, inventando novas formas de nomearmos o mundo. Novas formas de expressarmos sentimentos. Novas formas de humanizar o mundo. José Saramago inventou um forma de pontuação que dá maior expressividade à temporalidade interna e subjetiva. Por meio de Saramago penetramos em extratos subjetivos que anteriormente estavam sob outros ângulos. Nessa medida, outras facetas de nossa interioridade puderam ser mais conhecidas por todos que saboreiam livros do autor português.

A Literatura pode ser um caminho aberto para a fantasia. Neste sentido, quando a realidade está pesada demais. Densa. Obscura. Um livro de Cecília Meireles poderá suavizar o real e  nos levar para um plano de fantasias que atenuam nossos sentimentos, muitas vezes, degradantes.

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